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Planilha de controle de contratos: como montar e o dia em que ela para de funcionar

A estrutura mínima de uma planilha que funciona, os quatro sinais de que ela virou risco e o que fazer quando a operação passa dela.

8 min de leitura

A planilha de controle de contratos quase sempre nasce do mesmo jeito: alguém foi pego de surpresa. Um contrato renovou sozinho, um prestador ficou trabalhando sem contrato assinado, um reajuste passou batido. Na segunda-feira seguinte, abre-se um arquivo novo, com quatro colunas, e a promessa de que agora vai ficar tudo sob controle.

E fica. Por um tempo. A planilha é honesta: é rápida, é grátis, todo mundo sabe usar, e resolve o problema imediato de saber o que existe. O problema não é a planilha ser ruim. É que ela funciona bem exatamente até o dia em que para de funcionar, e esse dia não vem com aviso.

A estrutura mínima de uma planilha que funciona

O erro mais comum é o oposto do que se imagina: não é a planilha simples demais, é a ambiciosa demais. Aquela com 40 colunas que ninguém preenche e que em três meses tem metade das células vazias. Melhor começar com o mínimo que responde ao que realmente é perguntado: o que temos, com quem, até quando, quanto, e o que está pendente.

Coluna Para que serve Formato sugerido
ID do contrato referência única para citar em e-mail e reunião texto, sequencial
Contraparte com quem é o contrato texto
CNPJ ou CPF identificação inequívoca, evita homônimo texto
Objeto (resumo) o que foi contratado, em uma linha texto curto
Tipo serviço recorrente, projeto, aditivo, distrato lista suspensa
Contrato pai liga o aditivo ao contrato original ID
Data de início início da vigência data
Data de fim fim da vigência data
Renovação automática, mediante aviso, não renova lista suspensa
Prazo de aviso prévio (dias) quantos dias antes é preciso avisar para não renovar número
Data limite para avisar fim menos aviso prévio, calculada por fórmula data (fórmula)
Valor valor mensal ou total moeda
Índice de reajuste IPCA, IGP-M, sem reajuste lista suspensa
Mês do reajuste aniversário do contrato data
Status em negociação, aguardando assinatura, vigente, encerrado lista suspensa
Assinado? sim ou não, e a data data
Link do documento onde está o PDF assinado URL
Responsável interno quem responde por esse contrato texto
Validade das certidões menor data de validade entre os documentos do prestador data
Observações tudo que não coube acima texto

Três colunas dessa lista costumam ser esquecidas e são as que mais salvam:

Contrato pai. Sem ela, o aditivo vira uma linha solta e você perde a noção de que aquele contrato de 2024 já foi alterado três vezes. Quem trabalha com aditivo de contrato precisa dessa amarração desde o primeiro dia.

Data limite para avisar. A data que importa não é o fim da vigência, é a data em que ainda dá para não renovar. Um contrato que termina em 31 de dezembro com 60 dias de aviso prévio precisa de decisão até 1 de novembro. Quem só marca 31 de dezembro descobre a decisão quando ela já não existe mais.

Assinado? Parece bobo. É a coluna que revela que um contrato está sendo executado, faturado e cobrado sem que ninguém tenha assinado nada.

Como montar o alerta de vencimento

Uma planilha sem cálculo de prazo é uma lista, não um controle. O mínimo é ter duas colunas calculadas e um destaque visual.

Data limite para avisar

Se a data de fim está em H2 e o prazo de aviso prévio em J2:

=SE(OU(H2="";J2="");"";H2-J2)

Dias restantes até a decisão

Considerando que a fórmula acima gerou a data limite em K2:

=SE(K2="";"";K2-HOJE())

Semáforo de status

Em uma coluna de alerta, para transformar o número em texto acionável:

=SE(K2="";"";SE(K2-HOJE()<0;"prazo perdido";SE(K2-HOJE()<=30;"decidir agora";SE(K2-HOJE()<=60;"atenção";"ok"))))

Formatação condicional

Selecione a coluna de dias restantes e crie três regras com fórmula personalizada:

vermelho:  =$K2-HOJE()<0
laranja:   =E($K2-HOJE()>=0;$K2-HOJE()<=30)
amarelo:   =E($K2-HOJE()>30;$K2-HOJE()<=60)

O mesmo raciocínio vale para a coluna de validade das certidões, que é onde a maioria das operações se machuca sem perceber. Se você paga PJ, a validade das certidões do prestador precisa ter a mesma cor e o mesmo destaque que a vigência do contrato.

Vale um aviso sobre HOJE(): ela só recalcula quando o arquivo é aberto. Guarde essa frase, porque ela é a raiz do problema da próxima seção.

Os quatro sinais de que a planilha virou risco

1. Existe uma versão paralela

Alguém baixou uma cópia para "mexer com calma" e nunca devolveu. O financeiro tem a dele, com uma coluna de pagamento que a original não tem. O comercial mantém outra, só com os clientes que atende.

A partir daí não existe mais "a planilha". Existem três, todas parcialmente certas, e a pergunta "qual é a versão boa?" passa a ter mais de uma resposta defensável. Sem versão controlada, a verdade vira opinião.

2. Ninguém atualiza

A planilha depende de disciplina humana em um momento específico: logo depois de fechar um contrato, que é justamente quando a pessoa está com pressa para começar a executá-lo.

O sintoma é fácil de reconhecer. Abra a planilha e procure a última linha preenchida por completo. Se a última atualização de verdade tem mais de duas semanas, ela já não descreve a sua operação. Ela descreve a operação de duas semanas atrás, e você está tomando decisão com base num retrato antigo achando que é ao vivo.

3. Não há trilha de quem mudou o quê

Alguém alterou a data de fim de um contrato de março para junho. Quem? Quando? Com base em qual documento?

O histórico de versões do editor registra que a célula mudou, mas não registra por quê, e ninguém consulta esse histórico na prática. Numa auditoria ou numa disputa, o que sustenta a sua versão dos fatos é a trilha: o documento assinado, a data, o aceite da outra parte. Uma célula editada não é prova de nada.

É o sinal mais silencioso dos quatro, porque não incomoda no dia a dia. Só aparece quando você precisa dele, e aí é tarde.

4. O alerta depende de alguém abrir o arquivo

Este é o sinal definitivo, e é matemático, não cultural.

A fórmula HOJE() só é recalculada quando a planilha é aberta. A formatação condicional só pinta de vermelho quando alguém está olhando. Ou seja: o seu sistema de alerta é, na verdade, um sistema de confirmação. Ele não avisa que o prazo está chegando. Ele confirma o que já aconteceu, para quem tiver a iniciativa de perguntar.

Um controle que só avisa quando alguém lembra de olhar não é um controle. É uma lembrança.

Se você respondeu sim a dois desses quatro sinais, a planilha já está custando dinheiro. Ainda não apareceu na conta, mas está lá, na forma de um contrato renovado sem querer ou de um reajuste que ninguém aplicou.

O que fazer quando a operação passa da planilha

A resposta não é comprar um sistema no susto. É separar o que a planilha faz bem do que ela não faz, e resolver só a segunda parte.

Continue usando a planilha para o que ela é boa: visão geral rápida, análise ad hoc, um relatório que ninguém pediu mas você quer montar hoje. Exportar dados para planilha é um recurso legítimo, e não vai deixar de ser.

Tire dela o que depende de memória humana. Especificamente:

  • o alerta de vencimento e de renovação, que precisa chegar até a pessoa, e não esperar que a pessoa vá até ele
  • o alerta de certidão vencida, pelo mesmo motivo
  • a versão vigente do documento, que precisa ter uma fonte única e não uma pasta com quatro arquivos parecidos
  • a trilha de quem mudou o quê, que precisa nascer do processo, e não de alguém anotar na coluna de observações
  • a ligação entre o contrato e a cobrança, para que um aditivo não fique meses sem chegar ao financeiro

A migração razoável é gradual: comece pelos contratos vigentes, deixe o histórico encerrado onde está, e só depois traga o arquivo morto. Se a sua operação está na faixa de 10 a 50 prestadores, esse costuma ser o ponto em que a planilha rende menos do que custa.

E vale a franqueza: se você tem oito contratos, todos anuais, sem aditivo e sem prestador PJ para fiscalizar, fique com a planilha. Ela é suficiente, e um software subutilizado é pior que uma planilha bem cuidada. Antes de decidir, entenda os modelos de cobrança do mercado e faça a conta com os seus próprios números.

Onde o Contrasync entra

O Contrasync é um CLM especializado em contratos de prestação de serviços, e ele existe justamente para o que a planilha não consegue fazer: o alerta de vencimento e de certidão que chega até você em vez de esperar o arquivo ser aberto, a versão única do documento, a assinatura eletrônica com trilha de auditoria, e o aditivo, o distrato e a renovação como contrato-filho com histórico versionado, para que a pergunta "por que esse valor mudou em março?" tenha resposta sem depender da memória de alguém.

O que foi contratado também espelha para o ERP, então o aditivo não fica preso no documento enquanto o financeiro cobra o valor antigo. O cadastro é aberto e não pede cartão de crédito, o que permite subir os contratos vigentes da sua planilha e comparar os dois controles lado a lado antes de decidir qualquer coisa.

Perguntas frequentes

Quais colunas não podem faltar numa planilha de controle de contratos?

O núcleo mínimo é: contraparte, objeto, data de início, data de fim, prazo de aviso prévio, data limite para avisar (calculada), valor, status, se foi assinado e o link do documento. As três que mais se esquece e mais fazem falta são contrato pai (para amarrar aditivos), data limite para avisar (que é a data que realmente importa) e a validade das certidões do prestador.

Como criar alerta de vencimento de contrato no Excel ou no Google Sheets?

Calcule a data limite (data de fim menos o prazo de aviso prévio), depois a diferença entre essa data e HOJE(), e aplique formatação condicional em faixas de 60, 30 e 0 dias. Funciona, com uma ressalva importante: HOJE() só recalcula quando alguém abre o arquivo, então o alerta só existe se alguém for olhar. Para prazo crítico, isso não é suficiente.

Quando parar de usar planilha para controlar contratos?

Quando aparecer uma versão paralela do arquivo, quando a planilha passar semanas sem ser atualizada, quando ninguém souber dizer quem alterou uma data e por quê, ou quando você perceber que o alerta depende de alguém abrir o arquivo. Dois desses quatro sinais juntos já indicam que o custo existe, mesmo que ainda não tenha aparecido em nenhum relatório.

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